HOMILIA DOMINICAL:  PERDOAR SEMPRE

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No Antigo Testamento o sacerdotes ensinavam a perdoar as ofensas e a não guardar rancor contra o irmão que tinha cometido qualquer falha, mas a obrigação de perdoar existia apenas em relação aos membros do Povo de Deus. Aos inimigos e aos outros povos não se tinha a obrigação de perdoar. A discussão maior era sobre quantas vezes que se devia perdoar. Havia o consenso havia um limite de vezes para perdoar e que por isso não se devia perdoar de modo ilimitado.

É neste contexto que Pedro consulta Jesus sobre qual era o limite do perdão. Jesus responde que se deve perdoar sempre e de forma ilimitada, total, absoluta (“setenta vezes sete”). Deve-se perdoar sempre, a toda as pessoas, até mesmo aos inimigos, e sem qualquer reserva. Na visão de Deus o perdão é ilimitado, total e absoluto.

A parábola convida-nos a analisar as nossas atitudes e comportamentos diante dos irmãos que erram. Muitas vezes diante de qualquer falha do irmão, por menor que seja, assumimos a pose de vítimas magoadas e, muitas vezes, tomamos atitudes de desforra e de vingança que são o sinal claro de que ainda não somos misericordiosos como Deus o é. Se o nosso coração não estiver segundo a lógica do perdão divino, não terá lugar para acolher a misericórdia, a bondade e o amor de Deus. Fazer a experiência do amor de Deus transforma-nos o coração e ensina-nos a amar os nossos irmãos, especialmente aqueles que nos ofenderam. Entender a lógica do perdão divino é urgente e dela depende a construção de uma realidade nova, de amor, de comunhão, de fraternidade – a realidade do Reino.

O que significa perdoar? Significa não guardar rancor para com o irmão que falhou. Significa estar sempre disposto a ir ao encontro, a estender a mão, a recomeçar o diálogo, a dar outra oportunidade. Significa ter uma atitude marcada pela bondade, pela compreensão, pela misericórdia, pelo acolhimento, pelo amor.

O “mundo” considera que perdoar é próprio dos fracos, dos vencidos, dos que desistem de impor a sua personalidade e a sua visão do mundo. Deus considera que perdoar é dos fortes, dos que sabem o que é verdadeiramente importante, dos que estão dispostos a renunciar ao seu orgulho e auto-suficiência para apostar num mundo novo, marcado por relações novas e verdadeiras entre os homens.

A leitura do Livro do Eclesiástico que ouvimos hoje nos ensina que a verdadeira “sabedoria” está em não se deixar dominar pelo rancor, pela ira e pelos sentimentos de vingança.  Sábio é aquele que é capaz de perdoar as ofensas e de ter compaixão pelo seu semelhante. Sempre que cometemos um pecado, pecamos contra Deus e nos tornamos como o servo que tinha uma dívida impossível de pagar. Mas, Deus nos perdoa através do sacramento da confissão, por que nos ama. Por isso, da mesma forma somos chamados a perdoar o nosso irmão que nos ofendeu. Se os nossos pecados foram todos perdoados, como podemos recusar perdoar quem peca contra nós? Se não perdoamos, mostramos que não entendemos ainda o perdão de Deus.        

Neste sentido a Carta de São Tiago nos afirma que \"Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento.\" (Tg 2,13), ou seja, São Tiago quer dizer que quem se recusa a perdoar ao irmão, não poderá ter a coragem de pedir o perdão de Deus pelos seus próprios pecados. Mas quem perdoa as ofensas dos outros, poderá pedir e esperar o perdão do Senhor para as suas próprias falhas. Portanto, a “sabedoria”, o êxito e a felicidade do homem não passam por cultivar sentimentos de ódio e de rancor, mas por cultivar sentimentos de perdão e de misericórdia.

Na Carta aos Romanos São Paulo afirma que a comunidade cristã não é o lugar da intolerância, da incompreensão, do desrespeito pela diversidade de opiniões, mas é o lugar do amor, do respeito pelo outro, da aceitação das diferenças, da partilha e do perdão.  São Paulo aconselha: “não desprezeis ninguém; não esqueçais que a única coisa importante e decisiva é Cristo, a quem todos pertencemos”. Por isso, é preciso descobrir o essencial que nos une e não absolutizar o secundário que nos divide. O primeiro passo para perdoar é lembrar quanto Deus nos perdoou.

 
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